fbpx

NOTA DE REPÚDIO

NOTA DE REPÚDIO

É com imensa indignação que nós mulheres que compomos o Xegamiga nos manifestamos, publicamente, total repúdio pelo ato de crueldade, violência e desrespeito de fundamentalistas religiosos e políticos de duvidoso caráter contra a menor, vítima de estupro, cujo aborto legal foi feito no CISAM no último domingo.

Enquanto um médico, cumprindo não apenas a determinação legal, mas o dever ético ao qual se comprometeu, estava tentando garantir à criança a continuidade da própria vida sem a dolorosa consequência do crime do qual foi vítima, fundamentalistas religiosos, pretensos candidatos e políticos estaduais pagos com os nossos impostos estavam compelindo a criança a mais uma violência, taxando-a de criminosa, expondo sua fragilidade e dor, como se em um circo de feras estivessem. 

Trata-se de um ato não apenas de desrespeito, inexistência de empatia, vilania e crueldade, mas de hipocrisia, visto que em Pernambuco é fato público e notório que os mesmos que se dão a este tipo de atitude fecham os olhos e se calam quando o aborto é feito para esconder os filhos indesejados das amantes de seus colegas de política, religião e círculo social. Ou ainda para esconder os indesejados relacionamentos de filhas da classe média/alta pernambucana de relacionamentos indesejados, desde a época em que ainda se vivia em capitania e se emparedava mulheres por esta razão.   

Não vamos compactuar com este tipo de situação, e admitir o descumprimento de uma determinação baseada em Lei em favor de uma criança, por puro oportunismo político somado a fundamentalismo religioso, notadamente quando sabemos que é este tipo de atitude que leva à subnotificação pelo medo das vítimas de denunciarem e sofrerem exposição, além da vitimização pelo crime do qual tenham sido vítimas. 

Repudiamos todos os atos daqueles que utilizam tristes situações como a que acompanhamos de forma consternada, usando práticas de violência contra uma criança inocente, como palanque eleitoral, como também prestamos solidariedade à vítima nesse momento de extrema fragilidade e dor.  Clamamos por empatia social para que sejam afastados posicionamentos que lancem qualquer tipo de insinuação e suspeita sobre a vítima, em vez de colaborar para que o criminoso seja punido com os rigores que a lei determina. 

É contra todo este cenário que nós, mulheres do Xegamiga, ativistas pelos nossos direitos e de todas as mulheres à própria vida e às próprias decisões, apresentamos nossa mais profunda indignação, esperamos a exemplar punição a quem perpetrou atos de violência sexual contra a criança, assim como de quem a expôs em redes sociais, em troca de audiência, pelas instituições penais, ao mesmo tempo em que nos propomos ao apoio não apenas a ela, e familiares, mas a todas as meninas e mulheres vítimas e ao trabalho de conscientização para que crimes como este que no momento rechaçamos não tornem a acontecer.

Esperamos, ainda, que a criança se recupere bem do procedimento médico ao qual precisou de submeter, e que tenha o direito de recomeçar sua vida, longe da exposição a qual foi submetida por pessoas em nome de premissas religiosas e oportunismo político.

 

XEGAMIGA